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Quem é Você, Alasca?, por John Green

Simples assim. De centenas de quilômetros por hora ao repouso em um nanosegundo. Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolve-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão.

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Sem Título

Era uma vez uma mulher no corpo de uma criança, ou seria o contrário?

Era uma vez uma garota.

Era uma vez uma menina com esperanças, medos, preocupações e o peso do mundo nos seus ombros. Ela gostava de observar as pessoas no seu caminho da escola e a cada dia ela aprendia algo novo. Ela gostava de admirar livros, mas de lê-los? Só de vez em quando. Ela também gostava de acordar cedo, subir algumas ruas do seu bairro e ver o Sol nascer.

Era uma vez uma criança que sorria para todos e para tudo, que apreciava as pequenas belezas da vida e que era feliz por isso. Ela não escondia coisas escuras sobre a sua vida, ela não fazia coisas que ninguém podia descobrir, ela era apenas uma garota feliz. Ela provavelmente cresceu, se casou, teve filhos, netos, um emprego bom, uma vida também boa e morreu feliz como sempre foi.

Ou então não, mas eu duvido muito, afinal, essa história começou com Era uma vez, e deve terminar com um ela viveu feliz para sempre.

O verdadeiro problema

Durante a aula de geografia de hoje estudávamos os tipos de capitalismo e estávamos “discutindo” sobre o porquê de as multinacionais não instalarem as suas empresas nos países de origem e irem atrás dos países subdesenvolvidos. Eu tenho uma séria política de opinião, se alguém diz algo que eu não concordo, eu levanto a voz e explico o porquê de estarem errados. Ultimamente eu ando fazendo muito isso em sala de aula, mais precisamente com os professores. Eu não sou patriota nem me orgulho totalmente do país em que eu nasci e vivo, mas ao ouvir a professora o comparando aos Estados Unidos de uma forma tão reverente, como se o nosso país deveria seguir seu exemplo, eu me irritei.

O que eu disse? Bem, isso não terá importância se eu não explicar exatamente como o que ela disse me irritou. Ela deu o exemplo de que não evoluímos tanto quanto o EUA tecnologicamente e cientificamente porque nossas provas para entrar na faculdade são “fáceis” e as faculdades não são tão boas. Agora sim posso falar como eu respondi a isso.

Os Estados Unidos tem tantos cientistas por causa de um simples fato: suas faculdades são na maioria particular e as pessoas guardam dinheiro a vida toda para pagar os estudos. Não quis dizer que as faculdades particulares do Brasil são melhores, porquê, obviamente não são. O que nos leva a outro fato, o de que lá no EUA as escolas públicas de ensino fundamental ao médio são melhores e/ou tão boas quanto as particulares, o que os possibilita ter um ensino básico de qualidade e guardar o dinheiro que poderiam usar para pagar uma escola particular, como seria se as escolas públicas de lá fossem como as de cá.

Aonde eu quero chegar exatamente com isso? O problema para o Brasil ser tão ruim como é hoje não são as faculdades públicas, e sim, o ensino nas escolas públicas. O dinheiro que poderia ser injetado nas nossas escolas vão para os bolsos dos políticos, nós sofremos problemas catastróficos por isso e o país não evolui.

Eu sei que eu comecei dizendo que iria estar defendendo o nosso país, mas ainda sim o critiquei. O que eu quis dizer quando falei isso é que eu não aceito ser comparações injustas. As faculdades brasileiras não são ruins e nós sabemos disso, o problema é outro. E países como os Estados Unidos onde a vida parece tão utópica, na verdade são um dos maiores causadores de poluição e com as maiores taxas de obesidade mórbida. É de conhecimento de todos que se todos os países vivessem como eles vivem, em breve nós precisaríamos de 3 planetas Terra para viver. Realmente queremos ser como eles?

Um nada breve desabafo sobre Succubus Heat

Hoje eu não quero fazer uma resenha de Succubus Heat, da minha amada e deusa Richelle Mead, hoje eu quero falar sobre a sua historia sem pudores – ou seja, haverá spoilers -, sobre o que eu senti durante a leitura e a minha opinião em cada parte importante. Ou seja, vocês estão por sua conta e risco se seguirem lendo esse texto.

O resumo básico do que aconteceu até agora na serie é, sem sombras de duvidas, algo que deixou todos os leitores desesperados pelo próximo. Seth termina com Georgina (não muito ruim na minha opinião, ele andava meio chatinho), e além disso, Georgina acaba de sair de um problema com Nyx, onde a entidade do caos a havia mostrado sonhos “proféticos”  onde ela tinha uma filha de seu próprio sangue, coisa impossível para uma Súcubo.

Digamos que Georgina não aceitou o fim do namoro com Seth muito bem, principalmente seu recente namoro com Maddie, e ela desconta todo esse luto em basicamente três coisas: Álcool, cigarros e Dante, seu novo namorado. Como eu disse ali em cima, não ligava muito para o Seth ultimamente, já que ele estava ficando bem chato, mas não vou dizer que fiquei totalmente feliz com isso. É esse é o motivo para todas as suas “pequenas mudanças”. E além do mais, quem ficaria feliz com a sua (quase) melhor amiga estar esfregando seu “namoro incrível” com o seu ex?

Mas esse não é o motivo para a nota que eu dei para esse livro ser apenas 3,5. Sem duvidas, a nota mais baixa que eu já dei para um livro de Richelle Mead, até agora. Não que eu não tenha gostado do livro, ele continua sendo genial e me prendendo do inicio ao final, como em todos os livros dessa serie, ele apenas não me cativou tanto quanto os outros.

Apesar do romance, que é basicamente o Sol em que o Livro orbita, a complexidade da parte sobrenatural me fascina e a maneira que Richelle criou um conflito e tanto nesse livro. Georgina é mandada a Vancouver para fazer um serviço para o arqui-demonio dali e ao mesmo tempo expiá-lo para Jerome. E enquanto ela se ocupa com um grupo satanista muito ridiculo, alguém sequestra o arqui-demonio de Seattle. Não venha me dizer que esse enredo não é perfeito, pois eu sou capaz de matá-lo.

Infelizmente, foi bem aí que Richelle pecou. Ela tinha um material incrível em mãos e na minha opinião, não o desenvolveu da melhor maneira possível. Georgina, é claro não ficaria sentada enquanto Seattle estava praticamente sobre a ameaça de alguém que desejava o cargo de Jerome. [SPOILER] Richelle podia muito bem ter desenvolvido essa rivalidade demoníaca de uma maneira mais interessante, mas acabou sendo apenas uma disputa por um cargo. Ela até que conseguiu segurar o mistério de quem seria o vilão da vez de uma ótima maneira, mas essa foi a parte que mais me incomodou. Também queria um pouco mais detalhes sobre como que Jerome fora invocado (forma como ele foi capaz de ser segurado), mas isso talvez seja efeito da minha maratona de Supernatural.

No decorrer do livro, em resultado da invocação de Jerome, todos os imortais menores de Seattle perdeu seu poder. Georgina é praticamente humana – mas ela ainda não pode morrer, apesar de Richelle não ter esclarecido isso muito bem em minha opinião -, sua necessidade de sugar sua energia vital para sobreviver desapareceu, seu poder de se transformar também não existe mais e ela basicamente não tem mais nenhum sentido especial que tinha quando era uma súcubo. Ou seja, sexo é novamente apenas sexo para ela. O que abre caminho a algo que os leitores esperavam por 4 livros: Georgina pode transar com Seth sem sugar sua energia e corrompê-lo.

Então é claro, Richelle Mead nos deu esse presentinho apesar de tudo, a cena entre o casal mais esperada de toda. Ela fez isso da maneira que eu mais amo, sexy sem ser vulgar (<3). Essa parte é totalmente compensável, principalmente porque não é apenas uma noite, é um baita de um affair, com toda aquela excitação de estarem traindo seus perspectivos namorados.

Então, se você estava ansioso por isso acontecer, eu te garanto, Richelle Mead não falha em sua missão.

O que nos leva a Dante, que sinceramente, é um ótimo namorado, mas me faz sofrer um pouquinho ver o quanto Georgina o usou. Ela gosta sim dele e ele é tão gentil com ela que eu fiquei com pena dele virar corno. Ainda sinto assim, mesmo que ele tenha feito más decisões durante a trama (não consigo me referir ao que ele fez como traição).

E para finalizar, uma das coisas que eu mais amei nesse livro, a volta de Roman. Infelizmente, ele não volta como uma parte do triangulo amoroso, mas mesmo assim ele ainda é um dos meus personagens prediletos e eu espero que Richelle mostre ele mais no próximo livro, Succubus Shadow.

Sei que pouca gente vai se preocupar em ler o que eu escrevi, mas eu precisava mesmo desabafar, não fazer uma simples resenha. Então, obrigada por me ouvir/ler.

Resenha: Pandemonium – Lauren Oliver

Pandemonium

Quando eu li Delírio eu não botei muita fé na série. Claro, eu havia gostado do livro e muito, mas não fiquei desesperada por sua sequência e deixei para lá, esperando pelo lançamento do livro, sem me importar muito. Li o livro no início de 2013 e mesmo com o ebook de Pandemonium, não dei muita bola. Na verdade, eu mal li nesse ano que passou, infelizmente havia trocado a leitura por series, o que me arrependo e não me arrependo ao mesmo tempo. Agora, antes mesmo de 2014 começar eu prometi a mim mesma que iria ler mais livros, terminar as series que eu havia deixado de lado e começar novas. E qual foi a minha primeira opção? Pandemonium, é claro!

Bem, sobre o livro, eu me assustei um pouquinho no início. Lena mudou e muito. A morte de Alex a endureceu e a vida na Selva não era o mar de rosas que ela esperava que fosse. O livro é narrado por Lena, como sempre, mas em duas linhas do tempo diferentes. Um antes, na Selva, e um agora, em Nova York, onde ela se passa por uma curada comum.

No antes vemos Lena encontrar um grupo de resistentes liderados por uma garota chamada Raven. Raven encontra Lena quase morta e a salva, dando-lhe um lar entre os outros Inválidos. Ela é sem dúvida, uma das melhores personagens do livro, cheia de falhas, mas forte a seu modo. Após a fuga de Lena, o governo não está negando mais  a existência de Inválidos e com isso ataques a Selva começam a acontecer. E é isso que nos leva ao depois. Lena se passa por uma curada em Nova York, infiltrada na sede da ASD – América Sem Deliria. Ela é encarregada de manter um olho em Julian, o filho de Thomas Fineman, o líder da ASD. Julian teve câncer e já passou por 4 operações, agora ele está livre da doença, mas se fizer a intervenção, ele pode morrer.

Pandemonium é um livro completamente diferente de Delirio, não melhor, nem pior, mas no mesmo nível. Lauren Oliver é uma das escritoras mais incríveis que eu já li. Ela criou um mundo diatópico perfeito, onde o amor é considerado uma doença e onde as pessoas lutam pelo direito de poder amar. Nesse livro descobrimos que há dois tipos de Inválidos, os resistentes como Raven e os outros e os Carniceiros, que querem destruir o governo e são totalmente violentos. Também descobrimos mais como a resistência age, quais são seus planos e como eles se mantem vivos na Selva.

Muita gente não gostou de algumas coisas que Lauren fez durante o livro, mas isso não tornou o livro menos magnifico para mim. Julian é um personagem maravilhoso, nos lembra um pouco de Lena em Delirio, totalmente crente de que a cura era a saída certa, mas também curioso quanto ao Deliria. Nas páginas finais eu me vi praguejando, xingando a autora a torto e a direito, mas estava amando. Não que eu esteja 100% feliz com o que ela fez, mas não há como negar que as coisas vão pegar fogo em Requien.

Essa não foi uma das minhas melhores resenhas, vejamos bem, eu estou enferrujada, mas eu não podia deixar esse livro passar em branco. Então se você leu Delírio, corra e leia Pandemonium.

Pandemonium (Pandemônio), por Lauren Oliver

HarperCollins (Galera Record)

238 páginas (ebook)

Minha Nota: 5

Sinopse: Dividida entre o passado — Alex, a luta pela sobrevivência na Selva — e o presente, no qual crescem as sementes de uma violenta revolução, Lena Haloway terá que lutar contra um sistema cada vez mais repressor sem, porém, se transformar em um zumbi: modo como os Inválidos se referem aos curados. Não importa o quanto o governo tema as emoções, as faíscas da revolta pouco a pouco incendeiam a sociedade, vindas de todos os lugares… inclusive de dentro.

 

Um breve desabafo sobre livros

Ontem, enquanto tentava dormir me lembrei do meu terceiro dia de treinamento na livraria. Mais precisamente de uma venda.

Um grupo, um pai e suas três filhas adentraram na loja, eu que estava livre fui ajuda-los. Eles subiram até a sessão infantil e sentiram-se em casa. Pegavam livros, sentavam na mesinha, lia um pouquinho, pedia a opinião entre si e do pai. Era uma cena muito bonita de se ver, já que o grupo era bem novo, as garotas tinham mais ou menos 11, 8 e 5 anos. Eu estava um pouco tímida ainda, medindo cada palavra e passo para não errar nada, então eu acabei ficando um pouco de lado, olhando e ajudando quando pediam.

Quando por fim terminaram e foram pagar, o pai perguntou para mim: “Eu não podia ganhar um desconto?”. Travei. Eu não sabia o que fazer, minha chefe estava por perto, mas ocupada. Ela nunca me disse se eu podia dar algum desconto para clientes que não fossem professores e eu estava tímida demais para perguntar. Acabei por responder tímida: “Desculpe, mas eu não posso”.

Ele reclamou um pouco mais, mas acabou aceitando. Quando ia devolver seu cartão, lhe disse:

“Eu realmente sinto muito por não poder te dar o desconto. Eu leio muito e sei o quanto pesa no bolso manter esse habito. Mas te digo, você está fazendo um bem danado a suas filhas.”

No momento, eu não tinha ideia do que tinha dado em mim para dizer tais palavras, mas eu não estava triste por ter dito. O homem deu de ombros, como se não se importasse e foi embora. Eu continuei ali, apoiada no balcão, pensando nos livros. Eu via todas aquelas pessoas comprando livros e mais livros durante o dia e sentia inveja, afinal, eu nunca comprei muito. Mas não era só inveja que eu sentia, era revolta.

Os livros são armas, eles nos ensina a pensar e desenvolver nossas próprias opiniões. Desde que aprendemos a ler por prazer nos transformamos em críticos, em pessoas capazes de pensar por conta própria. Talvez aquele pai não ligue, talvez ele siga a lei do dinheiro. Mas talvez, quando eles chegassem em casa e as meninas admirassem os novos livros, folheando, pondo eles nas estantes, ele sorria e perceba que sim, valia a pena pagar uma pequena fortuna por livros. Ele entende que é caro e que é injusto ser assim, mas sabe que é a melhor coisa para as filhas dele. Ele está fazendo sua parte para formar três grandes mulheres.

Sorte

Nessa semana tive uma das mais incríveis coincidências da vida. Eu estive esperando por algum sinal, alguma coisa que me convencesse a levar o meu pen-drive na primeira papelaria e imprimir meu currículo, afinal, eu já estou velha o suficiente para ter meu próprio emprego e arcar com meus próprios vícios. Ok, ok, eu sei que é apenas preguiça básica, mas falando assim parece aliviar a culpa de minhas costas. Enfim, nessa incrível semana de dezembro – ando odiando esse mês de um tempos para trás, então leiam com ironia – o destino resolveu me dar essa oportunidade.

Nada do que aconteceu teria acontecido se eu tivesse almoçado no restaurante que minha mãe gostaria, nada disso teria acontecido se lá passasse cartão, nada teria acontecido se eu não estivesse no lugar certo na hora certa. Entrei na loja como de costume, procurando por um dos meus livros desejados, mas eles não tinham. Tudo podia ter mudado se eu tivesse caminhado por aquelas portas e ido para casa, triste, esperando a noite para talvez procurar por eles na internet. Mas como é obvio, eu não o fiz. Eu fiquei lá mais alguns segundos, o que deu a oportunidade para o gentil vendedor trouxesse um simples recado: traga seu currículo, acabamos de abrir uma vaga.

Eu fui pega de surpresa, mas afinal, quem não ficaria? Isso é mais do que uma escolha, é uma nova fase vindo. Agora eu estou prestes a confirmar meu primeiro emprego, um baita presente de 17 anos, não? Mas o que mais me encanta é a coisa do lugar certo na hora certa. Quantas possibilidades de um futuro diferente eu tive, mas acabei fazendo as escolhas que me levaram exatamente até ali. Quantas pessoas além de mim teve uma historia parecida? Quantas pessoas que estão numa fase negra de sua vida conseguiu encontrar sua luz no fim do túnel antes que fosse tarde? Eu espero que muitas.

As pessoas chamaram isso de destino, sorte, Deus ou apenas coincidências. Eu não desacredito nem acredito em alguma dessas possibilidades, mas seja o que for, que aconteça mais vezes.

Escolhas

O caminho vai para dois lados, algum tipo de bifurcação. Andei muito para chegar até aqui, nem sempre foi um caminho bom e seguro. Na verdade, não vem sendo uma caminhada simples por um bom tempo. Tentações, pecados, desejos e paixões que seriam capazes de me dominar se eu não me mostrasse forte na hora certa.

Minha escolha é simples, talvez por uma segunda intenção por trás, mas farei dessa uma escolha boa. Minha vida realmente está começando, é o momento de me levantar e seguir enfrente, esquecendo de todos que continuam torcendo para a minha queda. Eu não vou cair! Agora é apenas eu e o mundo.

Por quanto tempo eu venho desejando por isso? Quanto tempo faz que eu estou adiando isso, dia por dia? Apenas tinha medo de falhar, apenas isso. É aceitável para qualquer um, afinal, é o meu destino em jogo. Mas agora as coisas estão mudando e eu espero que continue assim por um bom tempo.

Deixarei coisas que gosto para trás, perderei um grande tempo que eu gastava com meu próprio entretenimento, alimentando meu ego e meu egoísmo. Já não me importo com isso mais, quando é por uma causa boa certas coisas são deixadas para trás.

É a minha hora de crescer.

Hippies, os malucos de estrada

Eu sempre tive uma quedinha pela cultura hippie. Desde que comecei a entender as culturas da segunda metade do século XX, os hippies dos anos 70 foram os que mais me agradaram. Eles pegavam suas kombis personalizadas e viajavam em turmas, aonde pregavam tudo o que era bom na Terra, o famoso “paz e amor”.

O que poucas pessoas sabem é que ainda existem hippies. E sim, aqui no Brasil.

Vocês provavelmente já viram vários daqueles artesões, perambulando pelas praças e ruas de suas cidades, vendendo brincos e jóias baratas. Alguns já devem ter visto eles tendo suas mercadorias apreendidas ou então fugindo da fiscalização. São hippies, ou malucos de estradas como são chamados entre si, tentando ganhar sua vida.

Hoje, brincando pelo facebook vi o link de uma pequena postagem em um blog com a manchete: Documentário chocante mostra como vivem os hippies hoje no Brasil (link). Abri por curiosidade e eles logo disseram sobre o projeto desse documentário, e lá embaixo um link para colaboração e um pequeno vídeo sobre o mesmo. Por eu ser uma pessoa totalmente atoa fui ver o vídeo.

Realmente, o titulo não havia mentido, era mesmo chocante as imagens, mas também eram bonitos. Vi a luta dos malucos de estradas para sobreviver na nossa atual democracia. Vi seus materiais sendo rasgados, vi eles chorando, vi eles gritando, e também vi eles sendo maltratados sem motivos pela policia de nosso país.

Não sou anarquista e nem saio gritando por aí: “ABAIXO AO GOVERNO!”, mas sei muito bem que a situação do nosso país não é nada bonita. Corrupção, violência e pouca estrutura para o povo. Vivemos em um lugar aonde só quem tem dinheiro consegue viver bem, e as opções de ganhar esse dinheiro raramente são honestas. Sou uma defensora dos injustiçados e ver aquelas cenas me cortaram o coração. Meu maior desejo era clicar naquele link e doar os 60.000 reais que eles necessitam para seu documentário, mas não tenho esse dinheiro todo e também não tenho como consegui-lo.

Sei que quase ninguém vai ler isso aqui, ou então ninguém já que esse é um blog abandonado a tempos, mas deixo aqui meu apelo. Veja o vídeo, sinta o sofrimento desses brasileiros que apenas querem viver em paz com seus artesanatos e viajar de cidade em cidade. Se puder, se isso tocar seu coração como tocou o meu, os ajude, seja um real ou cem, ou então como eu, divulgando, esperando que pessoas mais generosas também vejam e ajudem.

A internet é a voz da juventude e a juventude é o futuro do país, vamos mostrar que não esquecemos de todos os tipos de brasileiros, vamos mostrar que quando saímos de casa para brigar pelos 20 centavos da passagem não era só por isso, era por que queremos um país melhor para TODOS.

Para contribuir, clique nesse link.

Efêmera

Já me chamaram de varias coisas nesses quase 17 anos em que eu caminho sobre a Terra. Já me chamaram de gorda, de feia, de linda, de princesa, de nariz empinado, de Maria-vai-com-as-outras, de vadia, de piranha, de puta também, de poser, de lésbica, de sapatão, de riquinha, de metidinha, de chata, de nerd. Foram tantos nomes e estereótipos que com certeza seria capaz de encher essa pagina no Word que agora escrevo. Alguns desses adjetivos foram carinhosos, outros por brincadeira, mas alguns, realmente foi com o intuito de magoar. Todos nós fingimos não se importar com isso em algum momento, mas importa. Ser estereotipado é uma coisa que ninguém quer, mas todo mundo é. Não venha me dizer que estou errada, pois é a verdade!

Nos últimos meses venho sendo criticada pelas minhas mudanças de atitude e pensamento. Sim, eu mudo muito, e mudo de idéia quase tão rápido quanto a tenho. Uma amiga me falou um dia que a palavra que me descreve é Efêmera. O que significa Efêmera? Algo que passa rápido, coisa que dura pouco tempo, passageiro (segundo o Dicionário Informal). Levei isso como um elogio, afinal, isso realmente foi um elogio. Eu tenho esse instinto de viajante, de quem não gosta de rotinas e quer sempre mudar. Enquanto não posso viajar e conhecer os lugares mais remotos do mundo, mudo a mim mesma o tempo todo. Por quê? Ah, vejamos… O mundo muda a cada segundo, não fica parado no tempo. Ele tem sua rotina, claro, sua orbita, mas tenho quase certeza de que ela muda um pouquinho a cada tempo (não pesquisei isso, mas tenho quase certeza de que estou certa). Então porque nós devemos ser assim? Por que eu tenho que ser assim? Não tenho, essa é a resposta.

Então é por isso que eu mudo o meu estilo de cabelo quase a cada mês, apesar de não ter muito dinheiro meu estilo de roupa também muda de tempos em tempos, os livros que me interessam mudam, minha comida diferente muda. Não tenho falta de personalidade própria, a minha personalidade é mutável e eu mantenho essa mudança com prazer. Evito fazer planos a longo prazo porque sei que eles podem mudar a cada segundo. Entenda! Sou humana, tenho meus erros, mas também tenho meus acertos. Você não é obrigado a aceitar tudo isso de mim se não quiser e não vou implorar a ninguém pra me aceitar do jeito que eu quero – talvez meus pais, acredito que esse é o dever deles. Deixe que eu vive minhas mudanças, deixe que eu tenha essa liberdade de pensamento, deixe que eu seja Efêmera.

Esse foi um desabafo e também um pedido de desculpas informal por ter abandonado esse blog logo após tê-lo criado. Não prometo voltar a postar regularmente, mas espero que haja alguém que leia o que eu escrevi e que compreenda, pelo menos um pouco.